Jejum Intermitente: Células Comem umas as outras E Renovam

Jejum Intermitente: Células Comerem umas as outras E Renovarem

Eu tenho falado muito sobre o Jejum Intermitente ultimamente. E não é para menos, as notícias positivas sobre a prática não param de aparecer.

Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de medicina deste ano, identificou que o jejum faz com que suas células se “comam”.

Ou seja, os benefícios de jejuar vão muito além do regime e emagrecimento.

O Jejum Intermitente ou o corte radical de calorias pode, inclusive, aumentar sua expectativa de vida. A resposta para está no fato de que a privação de alimentos de forma controlada ativa os mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas mais longevidade. Isso traz benefícios para o organismo (1).

Yoshinori Ohsumi ganhou o Nobel justamente pelas suas descobertas sobre a autofagia. Trata-se de um mecanismo fundamental de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo.

Para você ter noção da importância desse mecanismo, a redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Em outras palavras, manter a autofagia das células é uma maneira de prevenir problemas futuros.

O Que É Autofagia?

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Yoshinori Ohsumi Ganhou O Nobel Pelas Suas Descobertas Sobre A Autofagia

Quando jejuamos, as células do corpo iniciam um processo de “remoção de resíduos” celular chamado autofagia. Isso significa que as células começam a quebrar e metabolizar proteínas quebradas e disfuncionais que se acumulam dentro delas ao longo do tempo.

Esse processo pode, até mesmo, proporcionar proteção contra várias doenças, incluindo câncer e doença de Alzheimer.

Acontece que o conceito de autofagia não é novo. Ele foi descoberto por volta dos anos 1960, mas pouco se sabia sobre isso até o início dos anos 1990, quando Ohsumi fez uma série de experimentos para identificar quais são os genes envolvidos nesse processo.

Trata-se de um processo biológico básico, pois é encontrado em praticamente todos os organismos. Mas diminui gradativamente, conforme o envelhecimento (2).

A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. Ela não funciona o tempo todo, mas deixar de se alimentar é uma maneira de ativá-la. Para sobreviver, a célula passa a “comer” suas partes internas, eliminando tudo o que tem de ruim. Quanto mais e melhor este mecanismo funciona, maior será a “faxina” interna.

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é restringir o consumo de alimentos. De acordo com pesquisas, os benefícios surgem quando há redução de calorias ingeridas entre 20% e 60%, que aumentaria a autofagia.

Mas atenção, se a privação de nutrientes durar muito tempo, os efeitos passam a ser negativos. Isto porque a célula pode começar a degradar também os seus componentes bons, e não somente os ruins.

O ideal seria conseguir estimular a faxina interna no tempo certo, sem cometer excessos. Para isso, os cientistas ainda pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica que garantiriam os efeitos benéficos sem causar prejuízos.

Neste sentido, já há indícios que apontam o jejum de 12 e no máximo 24 horas como benéficos.

Jejum Intermitente E Mudanças Hormonais

Quando você não come por um tempo, várias coisas acontecem ao mesmo tempo em seu corpo.

Ele inicia processos importantes de reparo celular e muda os níveis hormonais para tornar a gordura corporal armazenad

a mais acessível.

Entre as principais mudanças que ocorrem em seu corpo durante o jejum estão:

Níveis de insulina: Os níveis sanguíneos de insulina caem significativamente, o que facilita a queima de gordura (3).

Hormônio de crescimento humano: Os níveis sanguíneos de hormônio de crescimento podem aumentar em até 5 vezes. Níveis elevados desse hormônio facilitam a queima de gordura e ganho muscular, além de inúmeros outros benefícios (4).

Reparação celular: O corpo induz processos importantes de reparação celular, tais como a remoção de resíduos de células já citados (5).

Expressão genética: Há mudanças benéficas em vários genes e moléculas relacionadas à longevidade e proteção contra a doença (6).

Muitos dos benefícios do jejum intermitente estão relacionados com essas mudanças nos hormônios, expressão gênica e função das células.

Indicações E Efeitos Colaterais

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A Fome É O Principal Efeito Colateral Do Jejum

Durante o jejum, é essencial manter o consumo de água, para que seu corpo não sofra com aumento da pressão arterial ou desidratação.

E não adianta fazer Jejum de um dia e esperar resultados. Para garantir o aumento da expectativa de vida a longo prazo, o jejum precisaria ser feito de forma periódica.

Quanto aos efeitos colaterais, a fome é o principal deles.

Você também pode se sentir fraco e sentir que seu cérebro não está funcionando tão bem como você está acostumado. Normalmente, isso é apenas temporário, pois leva algum tempo para que seu corpo se adapte à nova programação de refeições.

No entanto, se você apresenta alguma uma condição médica, é importante se consultar com seu médico antes de tentar jejum intermitente. Isto é particularmente importante se você:

  •         Tem diabetes;
  •         Tem problemas com a regulação do açúcar no sangue;
  •         Tem pressão arterial baixa;
  •         Toma medicamentos;
  •         Está abaixo do peso;
  •         Tem história de transtornos alimentares;
  •         É uma mulher que está tentando conceber;
  •         Está grávida ou amamentando.

Tudo isso dito, o jejum intermitente é perfeitamente seguro. Não há nada de “perigoso” em não comer por um tempo se você estiver saudável e bem nutrido em geral.

Abraços e fique com Deus!

Dr. Juliano Pimentel.

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